Vida Pessoal

Terça, 11 de dezembro de 2018, às 06h00min / Daniel Biasoli

Como perdi vinte e seis quilos em quatro meses

Muita gente me pergunta:

- CARA, você está irreconhecível! Tinha outro por dentro! Não é mais você! Como é que você conseguiu perder tanto peso em tão pouco tempo? Sempre fico com um pouco de vergonha e acabo falando algo que acho bizarro, como válvula de escape: “peguei AIDS e lá se foram vinte e seis (26) quilos”!

Mas nem tudo é tão simples e a realidade não é essa. Antes de ser ”gordo”, já tive meus dias de “magro” e sei muito bem o que isso representa: saúde, não suar durante o sono, não cansar ao subir escadas, olhar-se no espelho e não se assustar com o que vê e por aí vai (sem contar as fotos do final do ano que me assustavam)...

Perder peso é muito complicado. Precisamos absorver nossas ansiedades, regular nossos impulsos e instintos, além contar com a boa vontade das pessoas que nos cercam. É um processo muito difícil. Hoje eu entendo os gordinhos e jamais criticarei seus hábitos. É preciso estar muito “zen” psicologicamente. Cada um tem seus motivos para entrar ou não em uma dieta tão radical. Porém, vou explicar por que eu consegui perder tanto peso em quatro meses, sem intervenção de nenhum nutricionista:

Meu peso normal sempre ficou entre 75 e 78 quilos. Acontece que durante a semana a gente acorda com preguiça, toma café, come pão com presunto e queijo e lá pelo meio da manhã ainda faz mais um lanchinho com mais carboidratos. Ao meio dia vai naquele buffet executivo baratinho, com dois ou três tipos de carnes e tem que pegar os três tipos, não se contentando com um, já que está disponível. À tarde faz mais um lanchinho com bolachas e café. À noite chega em casa, toma aquele chimarrão com bolo, porque se não comer, faz desfeita para a “patroa” que o fez com tanto amor e carinho. Mais tarde vai para a academia, chega em casa com fome e janta dois ou três sanduíches recheados com ovo e “tudo o que tem direito”, achando que está abafando porque cada um tem uma alface e dois tomates no meio, ou seja, “bem natural”.

Não vou nem comentar sobre os convites para tomar aquele chopinho ao final da tarde, com algum petisco, que sempre rola durante a semana.

Eu não critico a rotina de cada um. Não precisei de remédios para sair dos meus noventa e sete quilos e meio (97.5) quilos e chegar aos setenta (70). Então, o que eu fiz?

Fiz a dieta mais tradicional do mundo: Fechei a boca!

Substituí o pão por bolachinhas de água e sal em pouca quantidade, pela manhã, substituí a carne vermelha de segunda a sexta por peixe ou frango, deixei de comer doces (inclusive balas), tomar refrigerantes e sucos que contivessem açúcar e, à noite, comi apenas frutas. Sim, virei chato! Saía da dieta apenas aos sábados, mas de forma moderada. Deixei de comer arroz, massas e vários produtos naturais que contivessem carboidratos. Já ia esquecendo: cortei o lanchinho da manhã e o da tarde, além de gorduras como queijos e derivados do porco.

Ahhh, mas a bolachinha é integral e pode!
Ahhh, mas o arroz é integral e pode!
Ahhh, mas não sei o que é integral!

Está bem, comece a comer tudo o que for integral e vá até uma balança no dia seguinte!

Uma outra questão é no que diz respeito aos convites de amigos. Perdi as contas de quantos decepcionei negando convites para almoços, churrascos, junções, happy hours, etc. Quem tem foco precisa NEGAR! O amigo de verdade te entende.

Ahhh, mas eu não posso ficar sem massa!
Ahhh, mas e eu tenho que comer carne vermelha!
Ahhh, mas eu preciso comer um doce!
Ahhh, mas um chopinho final de semana não faz mal!

Você não só pode, mas deve abdicar de tudo, sim, se quiser resultado. “De grão em grão a galinha enche o papo”! Em longo prazo também, porque do contrário você perde o foco e, em algum momento, volta a ficar gordo novamente. Eu também falava algumas coisas do gênero!

Ora, crescemos e fomos criados sabendo que somos racionais. Não somos animais regidos por instinto puro e que, de algum modo, não sabem o que fazer, agindo por impulsos. Coloquei isso na minha cabeça. Sabia que cada dia que saísse da minha dieta, precisaria mais dois ou três para poder terminá-la. Posso estar errado, sendo radical? Sim! Mas o que posso dizer a você é que isso se chama foco.

Para finalizar:

Se você tiver um amigo ou pessoa próxima fazendo uma dieta, não o faça cair em tentação: o ajude! Deixe que ele siga a sua própria rotina alimentar. Não fale coisas do gênero: 
- Você poderia comer aveia! 
- Você poderia comer Kiwi!
- Você poderia comer um arrozinho. Não te faz engordar! Olha que você precisa de carboidratos!

Sério! Isso é muito chato e não ajuda em nada! Quem tem foco sabe exatamente o que deve ou não comer de domingo a sábado. Deixe-o fazer a sua própria escolha.

E eu me sinto muito melhor no meu dia-a-dia do que comendo “vinte espetos de carne” e tomando algumas dúzias de cerveja durante o mês.

Tudo é uma questão de escolha. Eu escolhi minha saúde e poder voltar a me olhar no espelho.

O segredo depois da minha dieta? Manutenção! Há dois anos estou com o mesmo peso, agora comendo de tudo um pouco e correndo oito quilômetros dia sim, dia não.


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